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Celso Sanmartín
 
 
O dia 6 de Março, Sexta, às 22h30

APRESENTAÇÃO e IDEÁRIO DA ATIVIDADE DE CONTAR CONTOS E HISTÓRIAS QUE LEVA POR LEMA:

Bicoca de boca em boca ou Contos que não faltem

E REALIZA: Celso Fdez. Sanmartín

Levo recolhendo contos e histórias inconscientemente toda a vida, como qualquer um. Mas desde há anos venho-as recolhendo e reacomodando-mas, com a intenção de contá-las de cara a diferente públicos

Comecei por casualidade e oportunidade. Continuo porque é uma atividade de amor, sentido e paixão: pola língua, pola oralidade, pola comunicação, por pensar que não se perda um verdadeiro tesouro de histórias e contos, e ir por aí a mostrá-lo e oferecê-lo, com a boca aberta e com a boca cheia, falando ademais bencísimo dele, que é como falar de uma das nossas possibilidades de relação e cultura mais ricas e admiráveis.

A minha devoção são as pessoas maiores, culturalmente refeitas na oralidade. Entre elas há muitas que são contadoras intuitivas e inteligentes e atentíssimas a tudo. Devoção polo vivo interesse que ponhem nas histórias, nos contos e nas memórias que contam. Devoção porque sabem “elaborar um momento”: A partir de uma miga de tempo que se preste ou inesperadamente. Ainda há, de momento, em qualquer lugar a onde um vaia, pessoas maiores que tenhem a virtude de atrair o atenção e mantê-la com uma(s) história(s) pertinente(s), que por acerto e valor específico, prenderá(m) entre as nossas lembranças perenes, frescas como da primeira hora.

(Hoje em dia, as migas de tempo, os momentos que se prestavam a contar, perderam bastante os seus “espaços naturais”: no dia a dia, em datas assinaladas, em épocas do ano, ... Temos outros enredos no seu lugar, outra medida do tempo. Fomo-nos deixando desse “costume natural”. Desse falar, contando, bem contado e por contar.)

O meu fardo ou repertório está composto basicamente por contos, histórias e memórias ligadas à tradição oral galega e também à europeia, (em que temos arte e parte), assentadas na cultura agrícola-pecuária e pedestre. E com um toque contemporâneo, para lhes apalpar que também são actuais, que aqui as estão e não como peças de museu. Também invento histórias e contos, como qualquer...

Às meninas e crianças, e à gente grande, tento contar-lhes ademais, que o que se conta não é um número exato-exato, e que a língua não se pode deixar que se ponha de trapo.

 
 

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